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Veganos: um mercado de futuro no Brasil


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Cresce a demanda por soluções para quem abdica do consumo de qualquer tipo de produto de origem animal. Aquecimento reflete uma tendência mundial

 

 

O cenário da alimentação no Brasil exibe um paradoxo interessante. A oferta de proteína animal é crescente, graças aos avanços tecnológicos nas criações e nos processadores. Ao mesmo tempo, um número cada vez maior de pessoas reduz a ingestão de carnes ou até mesmo adere ao veganismo – a renúncia ao consumo de qualquer tipo de produto de origem animal.

 

Não há dados precisos sobre o número de veganos no Brasil. Mas, consideradas suas representatividades dentre os vegetarianos de outros países, teríamos por aqui, numa projeção conservadora, algo em torno de 7 milhões de veganos – um estudo do IBOPE Inteligência divulgado em abril de 2018 calcula que 14% dos brasileiros, ou cerca de 30 milhões de indivíduos, sejam vegetarianos.

 

É um índice ainda distante daquele verificado nos Estados Unidos (16 milhões de veganos, segundo pesquisa recente da Harris Interactive), porém expressivo se levarmos em conta sua equivalência à população total de países como Paraguai, Bulgária ou Sérvia. As empresas têm despertado para o potencial desse mercado, aponta Guilherme Carvalho, secretário executivo da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB). “Em comparação com alguns outros países, o Brasil ainda engatinha na oferta de produtos industrializados veganos no varejo. Mas a velocidade dessas mudanças tem sido impressionante e esse cenário está mudando a cada semana”, relata o profissional.

 

Mais de mil certificações

 

Segundo Carvalho, há dois anos começou um boom de lançamentos para o público vegano. Em 2018, o número de produtos com o Selo Vegano, concedido pela SVB desde 2013, saltou de 400 para mais de mil produtos. “Isso sem contar os diversos produtos que ainda não são certificados, mas que procuram atender a esse público”, ele lembra.

 

Um recado válido para indústrias e brand owners é que os produtos veganos não são excludentes. Segundo pesquisas encomendadas ou acompanhadas pela SVB, grande parte dos consumidores desses alimentos não é vegana – uma parcela crescente da população busca reduzir o consumo de carnes, leites/derivados e ovos, inclusive entre os 70% de adultos brasileiros com algum grau de intolerância à lactose. Por outro lado, a identificação de um produto vegano como tal é necessária: a pesquisa feita pelo IBOPE em 2018 mostrou que 55% dos brasileiros consumiriam mais produtos veganos se eles fossem mais claramente rotulados como tais.

 

Convém ressaltar, no entanto, que o desempenho dos produtos para veganos, nos pontos de venda, é influenciado por fatores universais. “Pesquisas mostram que as compras de alimentos para veganos são decididas pela conveniência, pelo preço e pelo sabor. Se o produto se apoiar nesse tripé, terá grande possibilidade de prosperar”, diz Carvalho.

 

O cenário para os veganos também é mais sorridente na alimentação fora do lar. De acordo com a SVB, já existem no Brasil mais de 250 restaurantes vegetarianos e veganos. E os cardápios de restaurantes e lanchonetes convencionais abrem espaço progressivo para receitas livres de ingredientes de origem animal.

 

A SVB possui um programa, o Opção Vegana, que presta consultoria gratuita para redes de alimentação dispostas a atender o público vegano. Nomes como Baked Potato, Maki’s Place, Bacio di Latte e Lanchonete da Cidade recorreram ao serviço. “Observamos algumas marcas lançando, em vez de pratos veganos, pratos ovolactovegetarianos, que são menos inclusivos. Em pleno ano de 2019, isso é um grande equívoco. Mas em geral o panorama é positivo, de mais opções veganas”, comenta Carvalho.

 

Atenção em diversas frentes

 

A indústria alimentícia não está sozinha na corrida para atender aos veganos. “Os produtores de alimentos estão na frente, mas os fabricantes de artigos de higiene pessoal e cosméticos, bem como o setor de vestuário, estão se movimentando”, repassa Carvalho. Embora menos comentadas, outras soluções não deixam de ser dignas de registro. “Não é de hoje que existem cápsulas de medicamentos isentas de colágeno. E temos até tintas para tatuagem certificadas com o Selo Vegano”, acrescenta o secretário executivo da SVB.

 

Quem acompanha de perto o mercado de produtos para veganos aposta num avanço significativo em curto prazo, mantendo a curva acentuada dos últimos anos. Se 14% dos brasileiros são hoje vegetarianos, em 2012 eles eram 8% da população, conforme leituras do IBOPE Inteligência – uma evolução de 75% em seis anos, portanto. No mesmo período, as buscas na internet pelo termo “vegano”, segundo o Google Trends, aumentou 14 vezes no Brasil.

 

Há quem diga que tendências internacionais levam algum tempo para chegar ao Brasil e que, quando chegam, se disseminam com rapidez. No Reino Unido, a quantidade de veganos cresceu 360% entre 2005 e 2015. Nos Estados Unidos, esse número dobrou em 6 anos (2009-2015). Tanto na Europa quanto na América do Norte, os lançamentos de produtos veganos crescem na ordem de 40%, ano após ano. “Temos uma janela de oportunidade fantástica para os negócios”, sintetiza Guilherme Carvalho.

 

Entre as mais de 350 marcas expositoras esperadas na ANUFOOD Brazil, Feira Internacional Exclusiva para o Setor de Alimentos e Bebidas, estão empresas que vão apresentar novos produtos para o mercado vegano. A ANUFOOD Brazil é a versão nacional da maior feira de alimentos do mundo, a Anuga, realizada na Alemanha, será realizado de 9 a 11 de março de 2020, em São Paulo.

 

A exemplo da primeira edição, de 2019, a feira irá apresentar, por meio de exposições, palestras, congressos e compartilhamento de experiências os principais lançamentos, tendências de consumo, futuro da segurança alimentar e melhores práticas no segmento. O evento tem como públicos-alvo distribuidores, atacadistas, supermercadistas, restaurantes, bares, hotéis, entre outros.

 

 

Sobre a ANUFOOD Brazil – A ANUFOOD Brazil é organizada pela Koelnmesse do Brasil em parceria com a FGV Projetos, unidade de assessoria técnica da Fundação Getúlio Vargas, dedicando o devido espaço a toda diversidade das atividades relacionadas ao agronegócio e à indústria alimentícia e de bebidas. Dessa forma, compradores nacionais e internacionais terão a oportunidade de se encontrar em um mesmo local para realizar negócios, além de ter contato com as inovações da indústria. A próxima edição do evento acontece de 09 a 11 de março de 2020, no São Paulo Expo, em São Paulo.


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